Pouco bebo perto de tudo o que como, mas algumas bebidas me agradam muito e quando eu caio de amores por alguma em específico, aí aguenta…
Sou a tia véia dos licores – amo mais que tudo, e a culpa é toda da época em que eu era criança e minha vó deixava eu provar os de jenipapo, jabuticaba (que ela mesmo fazia) e outros tantos (sim, na minha época não tinha toda essa ridícula e exacerbada “proteção” às crianças e eu cresci bem, saudável e sem vícios, obrigada!), ADORO saquê e, recentemente, descobri que gin já pode garantir seu lugar no meu “home bar”.
Nos últimos tempos fui convidada para alguns eventos onde pude conhecer melhor essas bebidas e são alguns detalhes interessantes sobre elas que eu compartilho agora com vocês.
O primeiro encontro etílico foi o lançamento do Gin Hendrick’s no Brasil, no qual o embaixador mundial da marca, David Piper, contou de cabo a rabo a história desse gin super premium, que leva infusões de pepinos da Holanda e pétalas de rosas Damascena da Bulgária em sua composição e é produzido em pequenos lotes de apenas 450 litros.

O negócio é fino mesmo!
O que eu mais curti nesse gin, além do fato de ele ser todo estilosão, é que não existe aquela predominância de sabores fortes e enjoativos como o de anis (que eu, particularmente, não suporto) – é uma combinação diferente e suave para um tipo de bebida tão conhecida por sua potência.
Ele também não dá aquela sensação de “soco na cara”ao se provar o primeiro gole da bebida pura e quando se adiciona gelo e tônica então.. aí que fica difícil de largar o copo!

Cada garrafa de Hendrick’s (750ml) estará à venda em empórios e lojas especializadas por um preço médio de R$ 180,00.
O segundo lançamento ao qual fui apresentada vem lá da terra que produz algumas das melhores coisas desse planeta, o Japão. Na província de Hokkaido (extremo Norte do país) acontece a produção do Taisetsu, o único saquê do mundo fabricado dentro de um iglu – de verdade, com 10 metros de diâmetro, 2,7 metros de altura e 15cm de espessura para ser mais precisa.
Também super exclusivo devido à pequena produção, o Taisetsu será representado no Brasil por 300 garrafas (a partir de R$ 60,00 cada) nesse primeiro momento.

Mas porque mesmo ele é feito dentro de um iglu? A explicação é científica: a baixa temperatura e a alta umidade dentro dele evitam a oxidação do saquê e a perda de aromas que vão embora através da evaporação, resultando em uma bebida de qualidade superior.

O bacana é que esse lançamento foi, praticamente, uma aula sobre saquê e suas características e história.
Olha só o monte de coisas que eu nem imaginava sobre a bebida:
- Quando se fala em saquê comum e premium o que se deve entender é que o primeiro é um fermentado do arroz com casca, enquanto o segundo é feito com arroz polido. A maioria das marcas nacionais produzem o saquê comum e as importadas, o premium – explicado então o por quê de existirem essas duas classificações nos cardápios de caipirinha que encontramos por aí.
- O quão polido o grão de arroz que será usado na fermentação do saquê é um dos fatores que determina em qual categoria a bebida se enquadrará, sendo elas:
Junmai: 100% arroz fermentado
Honjozo: arroz fermentado e adição de até 30% de álcool destilado
Ginjo: no mínimo 40% de polimento e fermentação realizada a temperaturas mais baixas do que as utilizadas no premium
Dai ginjo: no mínimo 50% de polimento e fermentação realizada a temperaturas mais baixas do que as utilizadas no Ginjo
Takasago: um Ginjo premium -polimento de 55%, porém não é fermentado a temperaturas tão baixas quanto o Dai Ginjo
- O saquê deve ser apreciado em taças, como um vinho. O costume de se degustar a bebida naqueles copinhos de madeira quadrados e com sal na borda foi herdado da época em que os imigrantes Japoneses chegaram ao Brasil, trazendo na bagagem somente saquês de baixa qualidade, daí o motivo de se colocar o sal – para mascarar o sabor – e nenhum copo menos resistente do que aqueles feitos de madeira e capazes de resistirem a uma viagem de navio que cruzaria o planeta.
Depois de toda essa bagagem adquirida e a harmonização do Taisetsu com sushis e frutos do mar grelhados (achei que com os pratos quentes ele cai melhor), ainda restou um teco de fígado para degustar os licores japoneses também importados pela Tradbras: Midori, feito de melões e muito utilizado na composição de coquetéis e o Plum Dew, essa coisa linda aí de baixo.

Licor a base de umê – a ameixinha japonesa super ácida – ele fica sensacional on the rocks, como na foto e, sinceramente, é um dos melhores licores da vida: sedoso, aromático, uma perdição!
Virou e mexeu tô eu cobiçando ou falando dele por aí!
