A Paella do Pepe
Desde pequena estou acostumada a comer muitos peixes e frutos do mar, pois um primo meu era dono de uma peixaria e tal. Sem contar que ele era o maior (em muitos sentidos, rs) paelleiro da Baixada Santista!! Até hoje sinto saudades dele e como não podia deixar de ser, das delícias que saiam daquele fogão
Quando eu cresci, percebi que a paella não era um prato comum, mas sim algo elaborado que criava até um forte desejo nas pessoas que nunca tinham comido – talvez por falta de acesso, de condições, etc.
Convenhamos que a tal da paella no Brasil é um prato salgado. Paga-se pelo menos R$150,00 por uma porção que serve duas pessoas.
O engraçado é que a origem da paella segue a mesma linha da feijoada. Classes menos abastadas da Espanha juntavam ao arroz todos os itens comestíveis disponíveis e conseguiam ter uma refeição substanciosa a partir disso. Ou seja, uma comida do povo e que hoje em dia se restringe aos “que mais podem” – fato que ocorre pelo uso abundante de frutos do mar como lulas, camarões, lagostins, vôngoles e mariscos nas receitas brasileiras.
Mas tem um lugar em SP que vai contra essa maré. O Paellas Pepe, uma casinha perdida no meio do Ipiranga, serve de terça a domingo a típica paella valenciana, que é preparada diariamente de acordo com o número de reservas e na frente dos clientes. O melhor vem agora: por R$ 39,90 você come paella até dizer chega.
Então a dica é chegar cedo, para acompanhar desde o início a confecção dessa delícia – que pode levar até 2 horas.
Quando os generosos camarões e diversos lagostins são colocados em cima da paella, se prepare, pois o sino vai tocar. Aí é aquele forfé: todos se levantam das mesas e formam uma longa fila para serem servidos, as tiazocas mais velhinhas se jogam no começo da fila já com a identidade em punho para comprovarem fazer parte da terceira idade e por aí vai.
Espere a poeira baixar e vá até a mesa da paella. Não se preocupe se os frutos do mar que a enfeitam já tiverem sido levados pela horda de famintos, pois a chefe repõe os camarões e afins a cada vez que eles somem dali.
Sendo sincera posso dizer que me surpreendi com a qualidade da paella: frutos do mar super frescos, arroz soltinho e bem temperado com um açafrão potente. Só senti que o sal estava quase extrapolando o limite do agradável – um tico a mais e o prato estaria arruinado.
Um ponto bem fraco do restaurante foi notado quando meu namorado, “exausto” de comer peixes em Ilhabela, escolheu um Filé Mignon Grelhado (R$33,50) que estava no cardápio. Antes mesmo do garçom colocar o prato na mesa, percebemos que aquela carne nem em outra vida seria um filé mignon. Ao provarmos um pedacinho ficou provado que era uma original carne de segunda.
Mas o pior nã foi nem isso. Educadamente informei ao garçom que aquilo só seria um filé mignon quando eu fosse a Gisele Bundchen e pedi que ele voltasse com o prato a cozinha para questionar ao cozinheiro. Eis que o rapaz volta…dizendo que “não minha senhora, o chef me garantiu que é um filé”. Então tá, né?!
Como a jarra de sangria que tomei já tinha semi-anestesiado essa pessoa que vos fala, não houve força no mundo que me fizesse levar para frente a discussão. Só agradeci mais uma vez por nunca me cansar de comer frutos do mar e ter comido naquela noite uma bela paella como há tempos não comia.
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A Paella do DON tava bem mais bonita! Juro que não é ressentimentos do filé mignon! rs
Novamente muita inspiração no post! Tá de parabéns! =D
E hoje a noite tem restaurante japonês!!! Beijo!
humm.. deu agua na boca… so fiquei com uma duvida… como se come os lagostins? tem que quebrar a casca ?na mao mesmo? valeu
Rapha, os lagostins precisam ter as cascas quebradas antes de serem comidos – como se fosse uma lagosta. E pode ser na mão mesmo… Abs.