Chega o Caranaval 2012 mas não chega o dia em que eu consigo parar, respirar e focar no post que guardo na cabeça há dias.
Mas, enfim, esse momento chegou! rs
Me irrito consideravelmente com longas filosofias e analogias quando abro um blog para dar uma fuçada, mas hoje eu preciso começar esse post dessa maneira.
Tem gente que considera “ter status” = a envergar roupas de marcas famosas, dirigir carros potentes ou então colecionar carimbos no passaporte.
Status para mim é poder ter a oportunidade de conhecer desde a coxinha do Japonês lá em Rudge Ramos até um restaurante dono de uma estrela no Michelin. ( e aí, seguindo uma linha lógica de raciocínio, de lambuja eu aproveito para conhecer boa parte do mundo…quem sabe eu chego lá
)
E esse status é mais uma coisa que eu quero alcançar para poder saciar infinitas lombrigas do que para esfregar na cara dos outros. Mas né, mantendo esse blog eu acabo “exibindo” um pouco disso tudo para quem tiver interesse em talvez seguir o mesmo caminho.
Isto posto – gente, sempre quis usar essa expressão (ALOCA) – vou falar sobre o jantar do dia 05/03/2011, em pleno carnaval carioca, no Roberta Sudbrack.
Esse é um restaurante que DEVE ser visitado de mente (e carteira) aberta pela maioria das pessoas. Exceção daquelas que estão acostumadas a restaurantes conceituais, artístiscos, caríssimos e que provavelmente não devem ser leitores do blog, pq né…
Tudo lá é diferente dos habituais procedimentos em um restaurante comum: poucas mesas, atendimento praticamente exclusivo e exímio, menu fechado, ingredientes de altíssima qualidade, pratos para serem degustados/apreciados/observados com calma e preço$ lá na$ nuven$.
Assim que você chega a mesa é servido um couvert composto por deliciosos pãezinhos recém saídos do forno e manteiga produzida na própria casa:

Mini Gougères, que são pães de queijo “afrancesados” e feitos com queijo Gruyère.

Essa foi a primeira vez que os provei, e não achei tão parecidos com aqueles que vejo nas receitas – sempre falam que ficam ocos por dentro, e parecem ser mais “crocantes” – e esses da RS estavam saborosos, suaves, macios e , sinceramente, sem essa parte oca em seus interiores.
Aí então trouxeram uma marmitinha para cada um de nós, onde dentro estavam dois singelos Mandiopãs (quem ainda se lembra deles se multiplicando nos tachos de oléo quente da infância?) ornamentados por uma pequena folha de aneto e uma areia comestível que eu não consigo me lembrar de que era, mas que também não tinha gosto de muita coisa. O que predominava ali era o bom e velho mandiopã, tão sequinho que nem parecia frito.

Nessa altura eu já tinha revirado do avesso o cardápio do dia que o maître nos entregou assim que chegamos a mesa.

Como eu optei pela sequência de 5 pratos, e nesse caso só poderia contar com um amuse, estava na maior dúvida sobre qual escolher. Mas aí eu quis ser bacana e agradar o namorado (que, assim como os demais, pediu o menu de 3 pratos) e escolhi o Aspargo branco em caramelo picante.
- Deixo claro que se eu escolhesse somente ME agradar, teria pedido o Curau, pele de banana e caviar…rs

Defino o (que sobrou do) aspargo acima como algo AGUADO. Gente, não sei. Não fui capaz de perceber nada de picante, nem de caramelo. Somente o gosto insosso do aspargo branco – que não é dos meus itens comestíveis preferidos. O tal do caramelo se parecia com uma areia (outra) e não conseguiu dar a graça que o aspargo pedia.
Com esse começo “super bem sucedido”, me restou rezar para que os outros pratos fossem SENSACIONAIS, e que eu não tinha feito 3 pessoas me acompanharem a um restaurante caríssimo à toa – e que o problema do aspargos era só saudades da chef, que não estava presente naquele dia.
Em seguida me foi servida a primeira entrada: os Lagostins em lâminas de chuchu e leite de amendoim.

Santos lagostins! Carnudinhos, perfeitamente cozidos e acompanhados por esse leite de amendoim que dava aquele gosto meio Thai, sabe? Poderia repetir essa porção umas dez vezes sem chegar perto de enjoar.
A próxima entrada também prometia ser bem apetitosa, apesar de não contar com nada de inusitado: Raviólis de todos os cogumelos da estação – que, óbviamente, eu esqueci de perguntar quais eram.

A massa era das mas finas, bem delicada e um recheio honestamente feito SOMENTE com cogumelos. Estava bacana, mas foi nenhum sabor de outra galáxia o que eu senti, e sim uma qualidade e cuidado no preparo superiores aos similares que eu já provei na vida.
Chegamos então ao prato principal, que no dia era PATO.
Ai gente, meu coração doeu quando li a palavra “pato”. Por dois motivos bem contraditórios: o único pato que comi na vida (no caso, um magret de canard) não me agradou nem um pouco com sua carne escura, espessa e fortíssima. Segundo motivo: leio tantas coisas maravilhosas sobre o Pato Braseado da RS, que isso me deixou agoniada. Como não comer algo TÃO elogiado.
Pois é, optei por colocar o pato na minha lista de “restrições” junto ao maitre e pedi algo do mar.
Me foi servido um Pargo grelhado com saladinha de verdes e mais aneto. Novamente, nada de outro planeta. Um peixe fresco, macio e bem preparado, que ganhou um toque todo especial por estar acompanhado da saladinha – caso contrário, arriscaria dizer que faço igual em casa.

Junto com ele vieram as famosas Batatinhas Croustillantes, que olha…comofas, Dna. Roberta Sudbrack?

Essas batatas tem um quê de traquinagem, algum truque de gastronomia do qual nós, pobres mortais, não temos fácil acesso. Elas são infinitamente crocantes por fora e macias por dentro, o que te faz querer comer 1 kilo delas.
Mas nem toda batata croustillante do mundo me tira da cabeça que eu devia ter pedido o pato. Olha ele aí, no prato da Chata:

Óbvio que eu “caminhei” até o outro lado da távola quadrada na qual nos sentamos, e fui lá beliscar o pato dela. Estava SENSACIONAL. Desmanchava na boca!
Sem contar que ele vem acompanhado por uma espécie de compota de frutas secas (ameixa, damascos, etc) que eu fiz o favor de comer dois potes, sem nem ter com o que acompanhar, de tão intenso e aveludada que era.

Foto roubada do Destemperados.com.br
E cadê aquele gosto forte do qual eu me lembrava? SUMIU! Fiquei meio aguada por causa desse pato e agora voltarei a me arriscar nos próximos que eu encontrar por aí.
O namorado, que não gosta de pato, pediu que trouxessem carne bovina ou suína para ele. E eis que a Costelinha de Alfaiate chega a mesa.

Essa costela suína é cozida em baixa temperatura (provavelmente por mais de 6 horas) e realmente fica MUITO macia. Zero esforço para comê-la, pois as lascas de carne vão se soltando com extrema facilidade. O angú que a acompanhava era bem sem gracinha, mas eu nem ligo. Nada como ter matado a lombriga de provar a tal da costelinha!
Pra finalizar minha sequência de pratos, me foi servida uma fatia de queijo Serra da Canastra + broinha de milho. Eita queijo forte! E olha que eu adoro queijos mais pungentes..mas esse me surpreendeu. Só que aí, quando você come um pedacinho dele com outro da broa, tudo fica lindo.

O suave sabor adocicado da broa quebra essa força toda do queijo e ambos convivem em paz e harmonia.
Bom, aí começa a MELHOR parte da noite: os doces!!
A sobremesa da noite era o Divino, Maravilhoso!, um creme de chocolate branco, com farofa de licuri, framboesas e uma telha megafina de rapadura.

Talvez essa sobremesa seja a síntese perfeita da alma do Roberta Sudbrack: detalhes feitos com esmero (telha de rapadura), uso de ingredientes inusitados – apesar de serem da nossa terra (farofa de licuri), e contrastes de sabores e texturas que se encaixam perfeitamente (sedoso creme de chocolate branco e o azedinho carnudo das framboesas incrivelmente frescas).
Fiquei feliz de verdade nessa hora do jantar!
Como não sou boba nem nada, já sabia de antemão que todo cafézinho servido por eles é acompanhado de uma seleta de docinhos. Então né…pedi o café!

Aplausos para essa mini tortinha de morangos, feita com a massa mais dos céus que eu já provei. Ao menor toque da língua ela se desmanchou inteirinha.
Ótimo brigadeiro na colher, feito com um provável chocolate belga de sabor intenso e mais amargo – do jeito que eu gosto!
E a mini eclair, então? De uma delicadeza só, parecia de brinquedo! Mereceu até uma foto só para ela:

E chegamos ao fim da jornada no Roberta Sudbrack!
Saí de lá estalando de tão satisfeita, primeiro por ter ido pela primeira vez a um restaurante tão mais exclusivo e diferenciado do que os outros que já conhecia e segundo por ter matado minha lombriga desse tipo de lugar! hahaha
Infelizmente uma continha de R$370,00 por casal não cabe nem em todos os meus humildes bolsos juntos.
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