Simplesmente AMO/ADORO/SURTO DE FELICIDADE quando alguém querido faz um post aqui para o blog! E dessa vez o post é internacional e suculentíssimo. o/
O Klein trabalhou comigo na Ticket e participou da fase profissional mais “lúdica” de todos nós. Fase onde sempre íamos almoçar em divertidos grupos pela região da Paulista e éramos felizes e talvez até sabíamos. rs
Aí o Klein é daquele tipo de pessoa que conhece tudo o que você nunca ouviu falar na vida e tem os gostos mais peculiares, desde o som que ouve até os brinquedos educativos que deve dar para as crianças da família. Diante desse perfil, não foi tanta surpresa quando soubemos que ele faria um mochilão por onde? Pela Tailândia, Indonésia, Laos e etc. Super convencional, né? NOT.
O rapaz gostou tanto que decidiu voltar para lá nesse ano e vem de Bali o post maravilhoso que ele preparou para a gente.
Para os mezzo perdidos, que nem eu, vou localizar Bali de modo didático (clica que aumenta):

Pois bem, Bali é o ponto A ali embaixo e a seguir você morrerá de lombriga de coisas que estão a mais de, sei lá, 10.000 km daqui…
Bali e os prazeres de comer bem (e barato)
Durante grande parte da minha vida eu acreditei que Bali era só uma cidade litorânea em Java que atraia muitos turistas. Foi só recentemente (ano passado para ser preciso) que eu descobri que não se trata apenas de uma cidade, e sim uma ilha que, ainda que de tamanho reduzido (60km x 80km), é riquíssima culturalmente, única na Indonésia com maioria hindu além de ter aparecido nos noticiários recentemente com os atentados em 2004 e com o livro/filme “Comer, Rezar e Amar”, que tem parte de sua narrativa em Ubud, pacata cidade no interior.
O fato de Bali ter maioria hindu garante, ao contrário das ilhas com maioria muçulmana, que o porco faz parte da alimentação. E foi um prato que leva carne de porco que me levou a Bali e especificamente Ubud: o babi guling. Em linhas gerais, o babi guling nada mais é que um porco assado recheado com uma série de temperos. No prato, ele é acompanhado de arroz, alguns vegetais, chouriço e, se você pedir o spesial, um pedaço da crocante e suculenta pele do porco. Ainda que seja um prato típico da ilha, em Ubud eu só encontrei um restaurante que especializado em tal iguaria: o Warung Ibu Oka, algo como “A tenda da senhora Oka”, que é famoso na cidade, na ilha e por que não, no mundo também. Ok, exageros a parte, o Warung Ibu Oka é de fato uma referência e só abre das 11h às 15h. Fiquei cinco dias em Ubud e no primeiro dia esqueci completamente do babi guling; no segundo, cheguei no restaurante por volta de 12h30 e por ele estar lotado, não tive paciência para esperar para comer. Do terceiro dia em diante, a minha tática foi simples, porém eficiente: chegar no restaurante na hora da abertura.

Logo na entrada você vê o porco sendo cortado e destrinchado para fazer os pratos e quando a carne acaba, logo chega mais um carregamento. Muitas pessoas ficam fora tirando fotos; as que estão dentro fazem o mesmo. O porco é de fato uma grande atração do lugar. Pois bem, cheguei cedo nesse dia, peguei um lugar e pedi o prato, acompanhado da Bintang, cerveja local trabalho digno. Em segundos o prato e cerveja chegam na minha mesa. Uma foto, duas fotos, três fotos. Muita expectativa, criada em parte pelo fato de que o Sr. Anthony Bourdain afirmou que essa era a melhor carne de porco que ele havia comido na vida. E felizmente as expectativas foram mais do que superadas. Faço minhas as palavras do Sr. Bourdain e afirmo que foi sem dúvidas a melhor, mais tenra e saborosa carne de porco que eu já comi na vida. E nesse prato são todos vencedores: o arroz e os vegetais levam com facilidade o troféu de coadjuvantes, ao passo que a pele crocante é a cereja do bolo nesse simples, porém inestimável prato.
Não sei se foi a fome, não sei se foi o sentimento de culpa de não tê-lo comido nos dois dias anteriores ou se foi a constatação de que eu só teria mais duas oportunidades para aproveitar essa iguaria, mas o fato é que eu pedi mais um. E pediria outro se não fosse a “Parte 2” do almoço.
Complemento:
Quem me conhece razoavelmente bem sabe que dois pratos como o babi guling não são suficientes para matar a minha fome, especialmente se eu passei a manhã inteira zanzando pela cidade. Outra especialidade da ilha, com uma fama menor do que deveria ter é o bebek betutu (pato assado). Durante a viagem entre o porto e Ubud, vi esse nome por diversas vezes, sempre acompanhado da foto de um pato. Quando estava em Ubud, fiz uma pesquisa simples no Google (bebek betutu ubud) e descobri onde ficava um bom restaurante para comer esse prato. Depois do 1º almoço do dia, andei uns quinze minutos até o “Pond Restaurant” que, como o próprio nome revela, possui uma pequena lagoa ao lado. O restaurante é grande e luxuoso, pelo menos para quem estava acostumado a fazer todas as refeições na rua. Outra característica interessante dele é que não haviam turistas “sozinhos” comendo lá, apenas grandes grupos trazidos em enormes e coloridos ônibus. E basicamente esses grupos eram formados por chineses (ou taiwaneses; ainda não consigo distinguir um do outro), todos com crachás identificando-os. Enquanto esperava pelo meu prato engajei-me numa rápida e superficial pesquisa antropológica ao observar o comportamento desses grupos de turistas.
Voltemos à comida. Por ser um restaurante com certo nível de luxo, um antepasto é oferecido antes do prato principal. Antes de comer, eu achava que eram pétalas de rosa secas, mas ao mesmo tempo eu achava isso esdrúxulo demais para ser oferecido como comida. Na verdade eram fatias de batata doce acompanhadas de um molho de tomate levemente apimentado. Pouco tempo depois chega o prato principal: uma grande travessa retangular com um punhado de arroz em formato de cone, alguns vegetais, três tipos de molho (cebola, apimentado e doce) e a estrela, o pato. Tirando a cabeça e as patas, estava tudo lá, deliciosamente crocante e hipnotizante. Comi o arroz e os vegetais para abrir espaço no prato. Ainda que eu tivesse garfo e faca, seria um desrespeito com o pato se eu bancasse o açougueiro nessa hora. Além do motivo citado, é muito mais fácil usar as mãos do que garfo e faca e também tem a história de que quando se come com as mãos tem-se a impressão de que o gosto das coisas é melhor sentido.

Enfim, imaginem um cara com o cabelo bagunçado e sem fazer a barba a mais de um mês comendo ferozmente um pato com as mãos. É uma imagem comum se você está no período paleolítico, o que definitivamente não era o caso.
E essa foi minha rotina durante três dias. E só de pensar nesses pratos já dá (literalmente) água na boca. Ah,e pra quem ficou curioso, o babi guling custa R$ 5,50 o prato, a cerveja custa R$ 4,50 e o bebek betutu custa R$ 17,00. Preços módicos para exercitar o prazer de comer bem.
Gente, eu não consigo ter dúvidas que teria as maiores experiências gastronômicas da minha vida viajando para um lugar desses. Toda a diversidade de temperos e suas diferentes utilizações certamente fazem a diferença nessa tão marcante culinária.
Klein, amei!!! Você fica me devendo a dica de um doce típico, mas te perdôo diante desse post que eu tanto aguardei.
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