A Virada que deveria ser dos conceitos públicos, isso sim!
A iniciativa Chefs na Rua, pertencente a Virada Cultural 2012, certamente empolgou e levou para o Minhocão um bom número de pessoas que nunca haviam se aventurado anteriormente em um evento como esse.
Prova inquestionável de que a população ADORA e ANSEIA por comida de rua, principalmente se essa comida lhe proporcionar uma expansão de seus horizontes – como era nesse caso, em que a alta gastronomia apagou fronteiras e foi parar em cima do Minhocão.
A ideia não poderia ser melhor: chefs renomados e bem dispostos a fazer um trabalho diferente daquele que realizam diariamente, espalhando seus talentos entre uma multidão ávida para conhecê-los.
Então entra a parte que conseguiu fazer com que o evento se tornasse uma situação de stress agudo tanto para aqueles que cozinhavam quanto para os que se degladiavam nas filas tentando comprar uma ficha ou esperando por seus pratos: a incapacidade do poder público em organizar algo decente e que atenda plenamente ao objetivo definido.
Subestimaram o público interessado em se aproximar de novos formatos culinários, talvez por esse motivo proveram estrutura ÍNFIMA para a montagem das barraquinhas (não haviam pontos de eletricidade suficientes, o que acarretava em problemas de armazenagem e preparação das comidinhas), sequer preocuparam-se com a comunicação durante o evento (placas indicativas, equipe de suporte e informação era algo inexistente por ali) e por fim estabeleceram a logística mais estúpida do mundo ao criarem duas filas para cada barraca: em uma eram vendidos os tíquetes e na outra se aguardava para retirar o prato recém adquirido.
Fato é que as inúmeras filas se emendavam e ninguém sabia onde deveria ficar, muitos pegaram filas erradas por engano e o pior: os tíquetes serviam para TODAS as barracas e, obviamente ninguém estava la para avisar. Bastava comprar a quantidade desejada/estimada uma única vez e evitar toda essa dor de cabeça.
Mais triste ainda era ver de perto chefs e suas equipes ralando duro em condições esdrúxulas e muitos deles pedindo desculpas aos que aguardavam na fila, muitas vezes por horas, e dizendo que infelizmente não puderam levar mais fornos, grills, geladeiras e afins pois não havia ESTRUTURA suficiente. Lastimável!
Não sei qual foi o combinado entre a prefeitura e os chefs quando os convites foram feitos, mas tenho certeza de uma coisa: uma das partes foi enganosa ou a outra é que sofreu com ingenuidade demais.
Todo o ocorrido serviu para que algumas questões fossem levantadas:
Até quando uma megalópole como SP se comportará de maneira amadora e despreocupada ao organizar eventos que não tem interesses políticos por trás e visam tão e somente a difusão da cultura entre uma população carente disso?
Quando é que voltarão a “se dar ao trabalho” de regulamentar a venda de comidas de rua pela cidade? A burocracia e a preguiça da máquina pública veta o acesso de milhões de pessoas a diferentes tipos de gastronomia e impede que trabalhadores bem intencionados se submetam a regularizações/fiscalizações que os possibilitem vender suas produções livremente.
Só para constar: desde 1691 as comidas de rua são legalizados e devidamente controladas em NY, onde os ambulantes pagam taxas, têm uma licença específica e seguem padrões estabelecidos pelo município. Lá em NY, sabe? Aquele lugar desenvolvido, que atrai zilhões de turistas e com a maior diversidade e oferta de comidas de rua no mundo.




Não poderia concordar mais, Tamyris.
Infelizmente em SP, com preguiça de fiscalizar, nossos governantes resolvem simplesmente nos privar dos temas que complicariam a vida deles.