SAKAGURA A1, a democracia de Shin Koike
O chef Shin Koike, do Aizomê, inaugura em 1º de outubro sua nova casa que eu tive a satisfação de conhecer na semana passada.
O Sakagura A1 resgata por meio de sua decoração um Japão da década de 20-30 bastante influenciado pela estética ocidental ao mesmo tempo que sua arquitetura carregada em madeira lembra bastante as estruturas das fábricas japonesas de saquê.
A parte do A1 traz de volta a lembrança o primeiro restaurante comandado pelo chef, que existiu entre 2003 e 2008 no Top Center.
Com o intuito de oferecer um cardápio mais democrático e acessível que o do Aizomê é que o Sakagura foi criado, sendo que o ticket médio previsto é de R$80,00/pessoa.
O bem diversificado ( e ainda não definitivo) cardápio é dividido em Petiscos japoneses – Entradas frias e quentes – Lanches – Pratos quentes – Diversos e tudo mais que sai do sushi bar, como é o caso dos sashimis, temakis, makimonos e sushis.
Para começar cai bem o Kit Sakagura (R$ 20,00) que reúne 5 tipos de petiscos da casa. Naquela noite a seleção era essa daqui:
Da esq. para dir: edamames, a super comfort raíz de bardana refogada com cenoura (kimpira), escabeche de sardinha, algo com legumes que eu não lembro o nome e nem de ter provado e o excelente pãozinho chinês (ban) para ser recheado com a costelinha de porco descolando do osso de tão macia.
A porção de croquetes feitos com okara (resíduos do preparo do leite de soja) chegam à mesa crocantes e sequinhos, cobertos por um suave molho agridoce com gengibre.
Não empolgaram os Anéis de lula com hananira (R$ 26,00), faltou sabor ao molusco preparado com os talos de cebolinha japonesa.
Na sequência provei dois dos sushis que são especialidades da casa: o de vieiras (R$ 24,00 o par) e o de atum com foie gras (R$ 26,00 o par)
Tirando o fato de que todos os sushis já vinham com um tico de wasabi sob os peixes – e fica aqui registrada a intolerância inflexível do meu paladar a esse condimento que, definitivamente, não é de deus – ambos estavam lindos, frescos, cobrindo um bolinho de arroz que cabia perfeitamente na boca e se desmanchava com facilidade.
Feliz mesmo me fez o Uramaki ebi ten (R$ 26,00). Sei bem que os hatters gonna hate, mas a combinação de camarão empanado, aspargos e cream cheese estava de lamber os dedos.
Mas felicidade mesmo senti quando provei as escolhas que se mostraram mais acertadas: Rabada ao curry (R$ 30,50) e o lanche de Ban com pancetta cozida (R$ 23,80).
A rabada ultra macia mergulhada em um molho que surpreende pela suavidade (geralmente os kares são extremamente fortes), tem tudo para ser um dos carros-chefe da casa.
E esses lanchinhos…ai, esses lanchinhos! Comeria dez e ainda pediria mais. A massa do pão chinês feito no vapor abraça as fatias de pancetta regadas com um molho, que arrisco dizer ser do seu próprio cozimento, formando um conjunto perfeito.
É, para mim, a opção mais democrática – e deliciosa – que Shin poderia oferecer.
A casa ainda conta com uma carta com 21 opções de saquê, selecionados pela sommelier Ana Nakamura.
SAKAGURA A1
Rua Jerônimo da Veiga, 74
Itaim Bibi – SP
Tel.: 3078-3883











































