Archive for the 'Comida japonesa' Category

25 setembro
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SAKAGURA A1, a democracia de Shin Koike

O chef Shin Koike, do Aizomê, inaugura em 1º de outubro sua nova casa que eu tive a satisfação de conhecer na semana passada.

O Sakagura A1 resgata por meio de sua decoração um Japão da década de 20-30 bastante influenciado pela estética ocidental ao mesmo tempo que sua arquitetura carregada em madeira lembra bastante as estruturas das fábricas japonesas de saquê.

A parte do A1 traz de volta a lembrança o primeiro restaurante comandado pelo chef, que existiu entre 2003 e 2008 no Top Center.

Com o intuito de oferecer um cardápio mais democrático e acessível que o do Aizomê é que o Sakagura foi criado, sendo que o ticket médio previsto é de R$80,00/pessoa.

O bem diversificado ( e ainda não definitivo) cardápio é dividido em Petiscos japoneses – Entradas frias e quentes – Lanches – Pratos quentes – Diversos  e tudo mais que sai do sushi bar, como é o caso dos sashimis, temakis, makimonos e sushis.

Para começar cai bem o Kit Sakagura (R$ 20,00) que reúne 5 tipos de petiscos da casa. Naquela noite a seleção era essa daqui:

 

Da esq. para dir: edamames, a super comfort raíz de bardana refogada com cenoura (kimpira), escabeche de sardinha, algo com legumes que eu não lembro o nome e nem de ter provado e o excelente pãozinho chinês (ban) para ser recheado com a costelinha de porco descolando do osso de tão macia.

A porção de croquetes feitos com okara (resíduos do preparo do leite de soja) chegam à mesa crocantes e sequinhos, cobertos por um suave molho agridoce com gengibre.

Não empolgaram os Anéis de lula com hananira (R$ 26,00), faltou sabor ao molusco preparado com os talos de cebolinha japonesa.

Na sequência provei dois dos sushis que são especialidades da casa: o de vieiras (R$ 24,00 o par) e o de atum com foie gras (R$ 26,00 o par)

 

Tirando o fato de que todos os sushis já vinham com um tico de wasabi sob os peixes – e fica aqui registrada a intolerância inflexível do meu paladar a esse condimento que, definitivamente, não é de deus – ambos estavam lindos, frescos, cobrindo um bolinho de arroz que cabia perfeitamente na boca e se desmanchava com facilidade.

Feliz mesmo me fez o Uramaki ebi ten (R$ 26,00). Sei bem que os hatters gonna hate, mas a combinação de camarão empanado, aspargos e cream cheese estava de lamber os dedos.

 Mas felicidade mesmo senti quando provei as escolhas que se mostraram mais acertadas: Rabada ao curry (R$ 30,50) e o lanche de Ban com pancetta cozida (R$ 23,80).

 A rabada ultra macia mergulhada em um molho que surpreende pela suavidade (geralmente os kares são extremamente fortes), tem tudo para ser um dos carros-chefe da casa.

E esses lanchinhos…ai, esses lanchinhos! Comeria dez e ainda pediria mais. A massa do pão chinês feito no vapor abraça as fatias de pancetta regadas com um molho, que arrisco dizer ser do seu próprio cozimento, formando um conjunto perfeito.

É, para mim, a opção mais democrática – e deliciosa – que Shin poderia oferecer.

A casa ainda conta com uma carta com 21 opções de saquê, selecionados pela sommelier Ana Nakamura.

 

SAKAGURA A1

Rua Jerônimo da Veiga, 74

Itaim Bibi – SP

Tel.: 3078-3883

28 fevereiro
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Suki-Shabu? O Rangetsu of Tokyo tem!

Poucas mesas, nada de placa na porta, ambiente acolhedor e um público predominantemente japa e disposto a gastar um singelo montante pelos itens do cardápio. Rapidamente foram essas as impressões que eu tive ao entrar no pequeno salão e escolher uma mesa colada ao  jardim japonês do outro lado da janela, para então dar uma olhada no cardápio.

O Rangetsu é a uma filial de um tradicional restaurante de Tóquio que antes de abrir a casa em SP, há mais de 10 anos, estava presente unicamente nos Estados Unidos.

Grande parte de sua fama se deve aos pratos feitos com carne de gado wagyu, o famoso kobe beef. Sabe aqueles bois japoneses que são tratados a pão de ló, recebem massagens e bebem cerveja? Então… tudo isso para que produzam umas das mais caras carnes do mundo,  espetacularmente macia e entremeada de gordura – o que a torna suculenta em um nível estratosférico.

E naquela noite eu estava lá para conhecer, junto com a CrisKimi do Snack in Box, um novo menu fechado que estará no cardápio somente no mês de Março, o Suki-Shabu Course (R$ 110,00) composto por 4 pratos, 1 sobremesa e uma cerveja Kirin.

Dispensei a Kirin e pedi um shot de sangria feita com sakê. Bem suave, delicinha.

A primeira etapa do menu são essas três entradinhas frias:

Do topo para o sentido horário: Costela de Porco Negro, Lulas com Legumes e Conserva de Raiz de Lótus.

Tirando a conserva de Lula, que estava extremamente ácida, os outros dois me fizeram querer pedir mais. A carne do porco negro, ligeiramente mais adocicada que aquela que estamos acostumados, e a raiz de lótus, levemente apimentada, faziam uma dupla bacana.

Na sequência trouxeram o delicioso Katsu feito com gordos cubos atum empanados em legumes. Ótima fritura, casquinha crocante e interior macio.

Então foi a vez do trio de sahimis que começava com Roll de garoupa com broto de nabo e molho de pimenta vermelha, passava para Buri (olho de boi) selado com vinagrete de nabo ralado, limão siciliano, tomate e afins e terminava com Lula strings temperada com shisso

O buri maçaricado levou a melhor entre os três. Confesso que não gostei muito da lula, mas sei que a culpa era do tal do shissô que tem um sabor bem enjoativo no sentido pleno da palavra.

Depois desse trio começam a chegar à mesa os itens que o simpaticíssimo chef da casa, Nobuo Kuko, utiliza para preparar o Suki Shabu, esse mix de Sukiyaki com Shabu Shabu, que se diferencia essencialmente dos dois pelo sabor mais agridoce do caldo utilizado para cozinhar as lâminas de Kobe Beef

Os "temperos" que dão sabor ao caldo

Chef em ação

Kobe Beef prontinho para cair no caldo.

Aí o esquema é o seguinte: o chef incorpora todos os itens que vão dar vida ao caldo deliciosamente agridoce, quando tudo aquilo estiver em ebulição cada um coloca seu kobe beef para cozinhar ligeiramente dentro da panela e os mais “ousados”  mergulham o bifinho de kobe recém saído do caldo nesse ovo cru que o próprio cliente bate ali na mesa.

Digo “ousado” porque comer ovo crú não é um hábito muito comum entre a maioria das pessoas (e o negócio é FORTE), mas diga-se de passagem esse ovinho batido dá um up no prato.

A combinação do Kobe Beef – excelente por si só – cozido no caldo ultra aromático e saboroso, molhado nesse ovo é sensacional! Sabor marcante, complexo e levemente adocicado…dá até água na boca de lembrar!

Uma tradicionalíssima Gelatina kanten (a base de algas) repleta de frutas tropicais finaliza a sequência de pratos:

Sinceridade? Não é nem de longe o que mais me agrada para fechar um jantar, mas considerando que eu já estava quase em coma alimentar depois de comermos tão bem…uma gelatininha sem graça não fez diferença nenhuma na minha felicidade!  ;)

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24 janeiro
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O japa mais estiloso de 2012

Adriano Kanashiro, o chef que comandava as lâminas afiadas do Kinu, está de volta em grande estilo e de casa nova. E que casa!

O simpático chef

Em Dezembro do ano passado foi inaugurado o Momotaro, novo empreendimento que leva a assinatura de Adriano, ali na Rua Diogo Jácome – no mesmo lugar que já abrigou a Osteria Don Boseggia.

Quem passa na porta certamente não vai reconhecer o local, pois agora o que se vê da rua é um imponente cubo feito de camadas de madeira e vidro, que causa curiosidade em quem passa por lá.

É diferente, é bonito e por dentro é ainda melhor.

Carpas de origami 3D

É difícil eu explorar muito o tema “decoração” dos restaurantes – pq o que me importa mesmo é a comida – mas o Momotaro traduz perfeitamente o conceito de que restaurante japonês não precisa ser uma extensão do bairro da Liberdade. E pode sim ser clean, moderno e minimalista – como gostam os orientais – e é exatamente assim que ele já atinge o público descolado e low profile que o frequenta.

Sentar para comer bem entre amigos, num ambiente bacana, sem ostentações mil e comida boa. Porque sim, a comida lá é boa demais!

No meio de tudo isso talvez você perceba que o atendimento ainda precisa ser bem mais afinado, o que com mais um pouco de tempo deve melhorar.

Adorei os pratos criados para serem como as tapas: você pede vários e vai provando de tudo um pouco, com todos ao seu redor. Sem contar que a linha de criação de Kanashiro é bem fusion, então não me deparei com mais do mesmo e sim com as criações e combinações diversificadas que você vê agora:

Tá vendo essas coisinhas pequeninas acompanhando o salmão marinado? Pois então…são croutons feitos com tofu que acompanham o Momotaro, prato que leva o tomate homônimo e salmão marinado (R$ 30,00)

MEODEOSDOCEO! Eu podia passar uma tarde vendo maratona Man vs Food devorando kilos disso aí. Simples e viciante! Pelo o que eu pude captar nas conversas durante o jantar, eles são empanados em amido de milho e então fritos. Fica a dica!

O próximo da fila é o Crispy Tori (R$ 18,00), suculentos nacos de frango frito em crosta de flocos de milho:

Não é nem um pouco “magro”, mas é bom demais. Frango maciozão e essa crosta crocante que só!

Fez muito bonito a porção de mini medalhões com pupunha palha, que apesar de pequeninos estavam levemente rosados no meio:

O Nasu to Hotate (R$ 36,00), ou seja: a cumbuca de berinjelas e vieras grelhadas ao molho teriyaki trufado é algo assim, para se comer devagar e pedir repeteco.

O frescor dos peixes pode ser notado no temarizushi – sushi em forma de bolinha – Maguro Shigue (R$ 33,00): bolinha de bom arroz compactado, atum e nori com farofa crocante de wasabi e gergelim:

Ah, antes de qualquer um desses não deixe de pedir a ótima Baby Romana (R$ 30,00), salada de mini alface romana super macia com molho de tofu e mega camarões empanados.

Fiquei bem curiosa para provar os promissores Kokonatsu Ebiten  (R$39,00): tempurá de camarão e côco ralado e Salmon Tataki (R$ 27,00) que traz o  selado com molho cremoso de limão, ovas de salmão e pérolas de shoyu.

O bom dessa comilança em doses pequenas é que, certamente, sobra espaço para as sobremesas da casa. Que eu vou te contar…são um caso à parte!

As opções são bem criativas e empolgam pelas interessantes combinações:

Panna Cota dos deuses com esses gominhos de mini-mikan e sorvete de chá verde (R$12,00). A combinação perfeita da Itália e Japão em uma só taça!

A escolha mais ousada da noite envolvia uma bola de sorvete de wasabi, banana caramelizada e ganache (R$ 12,00)

Tirando o wasabi, que nem em forma de sorvete eu suporto, e colocando uma bola no sabor Gergelim (R$ 6,00),  eu tenho certeza que lamberia até o fundo da taça.

Em breve mais duas novidades entram em cena: aos finais de semana serão preparadas pizzas com um toque oriental (AGUARDEMOS!!) e o salão de cima, onde serão preparados por Adriano Kanashiro os jantares em forma de menu degustação para pequenos grupos, será inaugurado.

É esperar para ver e, no meio tempo, se deliciar com o que o Momotaro já oferece. ;)

 

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10 agosto
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Edamame, a pipoca verde.

Conversando hoje com a Mari, do ótimo Le Pitanga, sobre essa vida de comilanças infinitas e algumas opções saudáveis que são gostosas de verdade me lembrei de algo que, não sei porque, não postei aqui antes.

O edamame. Eda quem?

Japonês que é japonês deve saber bem do que eu estou falando. O edamame são os grãos de soja verde que estão se tornando cada dia mais populares nos restaurantes japa e nas temakerias, como a Temakeria&Cia – que vende cada porção (farta) por uns R$ 12,00.

O negócio é simples: vagem cozida por 3 minutos em água fervente, com um salzinho por cima. É só morder a vagem, que se abre como se fosse uma ervilha torta, para extrair os grãos de soja.

Atualmente já dá pra encontrar edamame congelado nos freezers de vários supermercados (entre R$ 13,00 e R$ 18,00) e a carinha da embalagem é essa aqui ó:

Edamame versão DIY

Além de ser uma belezinha pra conter a boccanervosa de cada dia, o edamame é rico em proteínas, vitaminas e fibras. Estimula o metabolismo e serve até como prevenção à ressaca – dizem que vem daí a paixão dos raparigos nipônicos por esses feijõezinhos.

Diz a lenda que os grãos de soja verde começaram a fazer sucesso no Japão lá pelo século XVII, quando ele passou a ser consumido para aliviar o desgaste físico durante o úmido verão japonês.

Só sei de uma coisa: trata-se de um negócio viciante…sentar e ficar comendo calmamente os grãos gorduchos por quanto tempo aguentar! ;)

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21 julho
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Hiro: kaiten sushi é só um detalhe da casa.

Quem passa por aqui sabe bem o quanto eu amo um bom rodízio japonês. Sim, eu tenho pensamento de gorda e adoro poder comer o quanto eu quiser, o que eu quiser, quantas mil vezes eu aguentar. Então, raramente visito japoneses a la carte.

Agora que conheço o Hiro, preciso repensar esse costume.

Com 3 unidades em Shoppings de SP, o Hiro lançou há pouco tempo seu cardápio de inverno e foi atrás de um dos pratos desse novo cardápio que eu cheguei lá: o Tchampon, que será relatado mais para frente.

Comecemos pelas entradinhas – que de “inhas” não tinham nada:

Esse aí de cima é o Yurinti (R$ 27,00), filé de frango suculento levemente empanado e servido com molho apimentado de gengibre. O molho era um tico além do que eu costumo suportar quando se trata de pimenta, mas o frango estava tão úmido, macio e saboroso que eu fiquei lá lutando contra a minha fraqueza.

Aí como eu e meu namorado somos apaixonados por lula, enfiamos o pé na jaca e pedimos logo o Shimeji com Lula (R$ 31,00) e uma porção de Ika Fried (R$ 27,00).

Lulas gordinhas e macias acompanhando a porção de shimeji feita em um molho bem leve, que inclusive não chega a envolver o cogumelo. Acho que até prefiro assim do que molhos mais encorpados.

Anéis de lula empanados na farinha panko, acompanhados de molho tonkatsu.  Crocância elevada a décima potência!!!! A lula que já é de uma ótima qualidade, ficou ainda melhor nessa versão. Aliás qualquer coisa empanada com farinha panko fica irresistível!

Para não perdermos a viagem, pedimos um combinadinho para uma pessoa que incluía sushi de ovas.

Sashimis de peixes ultra frescos fatiados com esmero e arroz BEM ao estilo japonês. Sabe quando ele fica até um pouco azedinho e mega master grudento? Então, era assim..

Ponto mais que positivo para o Salmão skin que estava exemplar. Não veio torrado, nem ressecado: notava-se claramente a divisão de pele e da fina camada de carne do peixe, ambos grelhados sutilmente.

Depois de toda essa comilança chega a mesa o prato que nos levou até lá:

Tchampon

Esse ensopado, cujo nome em japonês significa “mistura”,  leva macarrão lámen, frutos do mar, carne de porco, legumes, shiitake, kamaboko e temperos como cebolinha e gengibre.

Eita mistura boa, sô! Achei bem parecido com um yakissoba, só que sem molho a base de shoyu  e nesse caso, hiper recheado e mais variado nos itens que o compõe.

E o tamanho dessa tigela que aquela altura do jantar já parecia maior do que a realidade? Dizem que serve uma pessoa (R$ 36,00), caso essa pessoa vá até lá para comer unica e exclusivamente isso. O negócio é grande mesmo!

Para finalizar (o que já devia estar finalizado, diante de tanta fartura) pedi o Shot de 3 sorbets (R$14,00) nos sabores saquê, amora e limão.

O de saquê me surpreendeu muito por ser leve e bem refrescante, não parecia nem feito a base de bebida alcoólica mas mantinha ali guardado o sabor do saquê. A versão de amora era mais cremosa e adocicada. Já a de limão, meu deus do céu, alguém avisa o fornecedor desses sorvetes que ele não pode comercializar nada tão ácido.  Retorci minha cara toda e quase cai uma lágrima quando provei uma única colher desse sorbetzinho potente. Fica a dica para pesarem menos a mão!

O Hiro tem opções bem interessantes de sobremesas – que fogem dos cansativos petit gateaus da vida –  entre elas os ousados sorvetes de Chá Verde com Azuki e 70% cacau com wasabi (R$ 13,00).

Além de todos os predicados acima, o Hiro é ainda um “kaiten sushi”, daqueles que você se senta em um balcão na frente dos sushimen e diversos pratinhos com delícias preparadas ali mesmo desfilam na sua frente em cima de uma esteira rolante. Como eu fui em dia de semana o movimento da esteira estava meio fraco, mas volto lá para mais essa experiência.

Sem contar a decoração minimalista e agradável do salão, coroada por esse peixão de origami que  recepciona, lá do teto, os clientes. ;)

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