Você se lembra quando eu comentei
aqui no blog sobre uma leva de blind dinners que aconteceriam no Sofitel durante esse fim de ano?
Pois então, EU ESTIVE LÁ!
E foi animal!
Só para relembrar, os blind dinners são refeições que você faz vendado, sem saber o que será servido – orientando-se através dos seus outros sentidos para conseguir não derrubar a taça, tentar adivinhar os ingredientes, etc.
Cheguei ao Sofitel e logo todos os 12 ou 15 participantes do jantar daquela noite estavam prontos para serem vendados e levados até suas mesas, dispostas em uma sala vedada do hotel.
O acompanhamento aos “vendados” e todas as informações iniciais foram transmitidas com MUITA simpatia pelas meninas do
Ateliê no Escuro, que promoveu o jantar.
Eu e minha amiga sentamos juntas em uma mesa, sem enxergarmos um palmo na nossa frente. É nesse momento que bate uma certa ansiedade!
No caso da estabanada aqui era bem mais pelo medo de derrubar a mesa junto com prato, copo, talher e amiga no chão.
Mas logo você se sente mais tranquila, pois há uma equipe que te orienta a todo instante e te avisam que “estou servindo o vinho na taça próxima à sua mão direita”, ” vou trocar o prato pela sobremesa”, ” à sua esquerda estou colocando uma lavanda”… e assim vai.
A verdade é que em poucos minutos você cria uma mapa mental sobre todos itens dispostos ao redor do seu prato e consegue, magicamente, “orquestrar” tudo o que precisa. E eu digo isso com a propriedade de quem, sem venda, já teria espatifado a taça mais próxima e conseguiu manter a compostura até o final.
Antes de começar a comilança no escuro, toda uma “ambientação” é criada para que os participantes entrem no clima da noite: músicos tocando instrumentos diferentões como derbak, carron, guizo de pé e outras percussões e sopros, que se mesclam os trechos de poemas que são recitados entre as mesas cada vez que um novo prato é servido.
Em pouco tempo você começa a sentir como se estivesse jantando no interior de uma tenda árabe, repleta de panos, almofadas, luminárias e se bobear um camelo decansando do lado de fora.
A audição fica muito mais apurada e as conversas das mesas ao redor começam a se tornar SUPER audíveis, como se as pessoas estivessem sentadas a um palmo de distância de você. Como não vemos sequer a cara da sala onde o jantar é servido, todo esse layout só seria descoberto ao final do jantar.
Por falar em pratos, essa foi a única parte que me deixou um pouco frustrada. Afinal de contas eu estava em um jantar feito pelo Chef do ótimo P. Verger e esperava mais criatividade e inovação em relação ao que foi servido:
ENTRADA LÍBANO
Homos, Babaganush e Tabule com pão sírio, torrada de alho e pão 7 grãos harmonizado com Vinho Libanes Branco
O básico do básico do básico de qualquer restaurante árabe. Quando provei o Babaganush já pude até adivinhar quais seriam os conteúdos dos outros potinhos.
Ou seja, não rolou muita dúvida sobre qual era a entrada, que estava deliciosa mas podia ter conferido um início muito mais intrigante ao jantar se fosse algo mais inusitado.
PRATOS PRINCIPAIS MARROCOS
1. Couscous de frango com linguiça calabresa, cenoura, nabo – harmonizado com Vinho Libanês Tinto
Couscous marroquino, gente! Santa dificuldade em adivinhar! ahhaha Estava muito bom e bem condimentado e apesar de eu ter, desde o começo, apostado que levava frango, houveram diversas pessoas que pensaram ser um pernil.
E prova daqui, e cheira dali e desfia acolá…tudo para tentar descobrir de qual carne se tratava.
Além disso, o nabo se passou por xuxu fácil! E olha que eu dificilmente comeria um pedaço de nabo por livre e espontânea vontade – não só comi como também não achei ruim. O que prova ainda mais que eu sempre devo estar aberta a novas opções, por menos apetitosas que elas me pareçam aos olhos. rs
2.Tajine de Cordeiro com damasco, uvas-passas e avelãs
Se teve um prato com algo de diferenciado foi esse.
90% dos comensais acreditaram que se tratava de alguma carne bovina um pouco mais fibrosa. E não que eu queira me gabar, hahah, mas tenho testemunhas de que o fundo adocicado do sabor do cordeiro não me permitiu acreditar que aquilo fosse uma alcatra ou whatever.
SOBREMESA TUNÍSIA
Arroz doce com leite de Laranja e espuma de chocolate/Tâmaras/ Folhado de Damasco harmonizados com Vinho Argentino de sobremesa Las Perdices – Malbec Ice
Bem executados, mas ainda assim muito fáceis de se adivinhar. Não teve desafio na parte mais deliciosa da noite!
Agora, esse vinho…ah…esse vinho! Já posso falar por aí o nome do vinho da minha vida!
Cheiroso, quase licoroso, com notas que lembram ameixas ou cerejas ou frutas roxas e suculentas…sabe deus quais seriam. Só sei que amei!
Após todo o jantar ter sido servido, tiramos nossas vendas e pudemos ver que aquela sensação de estar dentro de uma tenda árabe repleta de almofadas, lenços decorativos e etc não passou de uma divertida imaginação criada pelas nossas mentes, que foram devidamente influenciadas pelos músicos e todos os artíficios utilizados durante a noite para ativar nossos sentidos. Estávamos em uma sala super clean, desprovida de qualquer decoração. Ah, e as mesas ficavam a metros de distância umas das outras – o que prova que eu não sou tão surda quanto imagino, só preciso não enxergar para que os ouvidos voltem a ficar afiadíssimos. rs
Para finalizar, o Chef Patrick Ferry entrou em cena tanto para ouvir as impressões que tivemos sobre a noite quanto para detalhar todo o cardápio servido.
É nesse momento que os pratos são mostrados e aí, em meio ao vucovuco causado pela curiosidade de todos, eu tirei as belíssimas (só que ao contrário) fotos abaixo:

Entrada

Couscous Marroquino

Tajine

Sobremesas
Para quem se interessou, ainda dá tempo de se inscrever para o jantar do dia 15/12. O jantar no escuro promovido pelo Ateliê também apareceu durante o quadro Brasil sem Cigarro, no Fantástico —->Ateliê na Globo
Fica a dica de uma experiência que vale a pena ser vivida, nem que seja para ter mais consciência de como o nosso cérebro funciona em situações inesperadas.