Archive for the 'Peixes e frutos do mar' Category

02 julho
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Da Terrinha: quando a cozinha Portuguesa alcança, com qualidade, um novo público.

Todos aqueles, exceto os que podem se dar ao luxo de esbanjar sem dó uma grana por aí, que costumam visitar restaurantes Portugueses em SP sabem bem o peso que causa no bolso jantar em algum deles, mesmo que sem exageros.

Até então o que se via por aí eram de um lado os TOPS como A Bela Sintra, Antiquarius e Trindade e do outro aqueles restaurantes que existem antes mesmo das nossas mães nascerem, que se intitulam como tradicionais porém em muitos casos perderam há tempos a qualidade de muito antigamente.

E aí começaram a surgir alguns intermediários como as Tascas da Esquina e a do Zé e da Maria.

Mas nenhum deles conseguiu me cativar tanto quanto o Da Terrinha!

Cozinha aberta, ambiente arejado – que te convida a ficar lá sentado tranquilo enquanto come um bolinho de bacalhau atrás do outro – atendimento simpático e um cardápio que, apesar de atípico, agrada a todos.

Pode tirar o cavalinho da chuva se você acha que lá vai encontrar tenras postas de bacalhau com 1o cm de altura em todos os pratos. Pelo contrário, só uma opção no cardápio oferece algo parecido com isso que é o Bacalhau no forno (R$ 85,00 p/ duas pessoas).

O que você vai ver é um cardápio que reúne clássicos da culinária portuguesa e algumas criações bem inspiradas, caso do Bacalhau da Terrinha que falarei logo mais.

Desse parágrafo em diante preste MUITA atenção nos preços e tente se lembrar de algum dia ter comido uma comida portuguesa boa aos custos que virão a seguir.

Nas duas visitas que fiz (em menos de 1 mês) comecei a refeição com duas das entradas que mais me fazem feliz:

Bolinho de bacalhau (R$ 9,00 – 4 unidades) com casquinha super crocante e recheio cremoso. Juro que comeria só bolinho numa boa!

Porção de pastéis recheados com creme delicado de bacalhau (R$ 11,00) e fritura sequinha.

E a melhor das 3, segundo eu e meu marido: as lulas salteadas (R$ 20,00)

Pequenos anéis extremamente macios, temperados com alho, sal, limão e salsinha. Tenho uma compulsão específica por “lulas como entrada”, em todo lugar que vou e elas estão lá acabo pedindo…não tem jeito. Mas até agora essa daí de cima foi a que mais me trouxe conforto e vontade de comer 1 kg delas!

 Os pratos principais que pedimos, considerando as duas visitas, foram os seguintes:

 Bacalhau Gomes de Sá (R$ 42,00) que são lascas de bacalhau nadando em muito azeite de oliva com ovo, cebola e batata. Tirando o exagero de azeite, o restante estava bem equilibrado.

O marido gostou tanto do carro chefe da casa, o Bacalhau da Terrinha (R$ 38,00) que pediu nas duas vezes em que estivemos lá.

Delicioso creme de bacalhau a base de molho branco, com cenouras que quase desaparecem no meio dessa delícia gratinada. Tipo do prato que te abraça!

E por fim o Arroz de Pato (R$ 33,00) que decepcionou um pouco por estar salgado demais, mas que tinha boas lascas da ave desfiada misturadas a ele.

A doçaria Portuguesa para mim é um capítulo a parte. Tudo que leva açúcar e muito ovo me fascina e acho que por isso pedi três sobremesas de uma vez só. Isso mesmo, três!

Começando pelo gostoso Toucinho do céu (R$ 13,00), bem úmido …do jeito que eu gosto.

Passando pela descoberta da noite: a Sericaia, minha nova paixão. Esse é um doce alentejano bem antigo, que se parece uma omelete bem alta, mas de consistência cremoso – o que pra mim se traduz na mais bela junção de pudim de leite com quindim!

E terminamos com os sorvetes (R$ 15,00 duas bolas), que me chamaram a atenção exatamente por serem de sabores da Terrinha. Pedi uma bola de limão e Moscatel de Setúbal e outra de Laranja com Vinho Madeira. Ambas chegaram à mesa congeladas em excesso, que mal dava para enfiar a colher. Como eu sou afobada quando se trata de uma sobremesa na minha frente, acabei comendo assim mesmo e, provavelmente, as baixíssimas temperaturas mascararam o real sabor dos sorvetes. Uma pena!

Melhor guardar a boa lembrança de todos os itens anteriores a ele! ;)

 

 

 

21 julho
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Hiro: kaiten sushi é só um detalhe da casa.

Quem passa por aqui sabe bem o quanto eu amo um bom rodízio japonês. Sim, eu tenho pensamento de gorda e adoro poder comer o quanto eu quiser, o que eu quiser, quantas mil vezes eu aguentar. Então, raramente visito japoneses a la carte.

Agora que conheço o Hiro, preciso repensar esse costume.

Com 3 unidades em Shoppings de SP, o Hiro lançou há pouco tempo seu cardápio de inverno e foi atrás de um dos pratos desse novo cardápio que eu cheguei lá: o Tchampon, que será relatado mais para frente.

Comecemos pelas entradinhas – que de “inhas” não tinham nada:

Esse aí de cima é o Yurinti (R$ 27,00), filé de frango suculento levemente empanado e servido com molho apimentado de gengibre. O molho era um tico além do que eu costumo suportar quando se trata de pimenta, mas o frango estava tão úmido, macio e saboroso que eu fiquei lá lutando contra a minha fraqueza.

Aí como eu e meu namorado somos apaixonados por lula, enfiamos o pé na jaca e pedimos logo o Shimeji com Lula (R$ 31,00) e uma porção de Ika Fried (R$ 27,00).

Lulas gordinhas e macias acompanhando a porção de shimeji feita em um molho bem leve, que inclusive não chega a envolver o cogumelo. Acho que até prefiro assim do que molhos mais encorpados.

Anéis de lula empanados na farinha panko, acompanhados de molho tonkatsu.  Crocância elevada a décima potência!!!! A lula que já é de uma ótima qualidade, ficou ainda melhor nessa versão. Aliás qualquer coisa empanada com farinha panko fica irresistível!

Para não perdermos a viagem, pedimos um combinadinho para uma pessoa que incluía sushi de ovas.

Sashimis de peixes ultra frescos fatiados com esmero e arroz BEM ao estilo japonês. Sabe quando ele fica até um pouco azedinho e mega master grudento? Então, era assim..

Ponto mais que positivo para o Salmão skin que estava exemplar. Não veio torrado, nem ressecado: notava-se claramente a divisão de pele e da fina camada de carne do peixe, ambos grelhados sutilmente.

Depois de toda essa comilança chega a mesa o prato que nos levou até lá:

Tchampon

Esse ensopado, cujo nome em japonês significa “mistura”,  leva macarrão lámen, frutos do mar, carne de porco, legumes, shiitake, kamaboko e temperos como cebolinha e gengibre.

Eita mistura boa, sô! Achei bem parecido com um yakissoba, só que sem molho a base de shoyu  e nesse caso, hiper recheado e mais variado nos itens que o compõe.

E o tamanho dessa tigela que aquela altura do jantar já parecia maior do que a realidade? Dizem que serve uma pessoa (R$ 36,00), caso essa pessoa vá até lá para comer unica e exclusivamente isso. O negócio é grande mesmo!

Para finalizar (o que já devia estar finalizado, diante de tanta fartura) pedi o Shot de 3 sorbets (R$14,00) nos sabores saquê, amora e limão.

O de saquê me surpreendeu muito por ser leve e bem refrescante, não parecia nem feito a base de bebida alcoólica mas mantinha ali guardado o sabor do saquê. A versão de amora era mais cremosa e adocicada. Já a de limão, meu deus do céu, alguém avisa o fornecedor desses sorvetes que ele não pode comercializar nada tão ácido.  Retorci minha cara toda e quase cai uma lágrima quando provei uma única colher desse sorbetzinho potente. Fica a dica para pesarem menos a mão!

O Hiro tem opções bem interessantes de sobremesas – que fogem dos cansativos petit gateaus da vida –  entre elas os ousados sorvetes de Chá Verde com Azuki e 70% cacau com wasabi (R$ 13,00).

Além de todos os predicados acima, o Hiro é ainda um “kaiten sushi”, daqueles que você se senta em um balcão na frente dos sushimen e diversos pratinhos com delícias preparadas ali mesmo desfilam na sua frente em cima de uma esteira rolante. Como eu fui em dia de semana o movimento da esteira estava meio fraco, mas volto lá para mais essa experiência.

Sem contar a decoração minimalista e agradável do salão, coroada por esse peixão de origami que  recepciona, lá do teto, os clientes. ;)

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07 julho
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Felicidade caseira

Atum selado em crosta de gergelim do Ráscal, feito em casa.
Quem divulgou a receita foi a Veja, mas quem executou deliciosamente foi minha cumadre Thata.

Recomendo demais pela facilidade e pela delícia que é!

A receita você encontra aqui ó .

Uma cumadre dessas é que não se encontra em qualquer lugar. ;)

 

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04 março
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Sr. Pirão e suas moquecas

No último fds, estive no Espírito Santo para confraternizar com a família japonesa e, como quem não quer nada, desbravar algumas comidinhas locais.

Só que assim, os únicos termos que eu ligava ao lugar eram Guarapari e Moqueca Capixaba.

[A moqueca é um prato bem simples. Peixes, frutos do mar e temperos variados. A capixaba leva somente cebola, tomate, coentro, alho, azeite de oliva e urucum. Já a baiana (que eu gosto ainda mais pq, óbvio, é mais gorda) leva tudo isso + azeite de dendê e leite de coco ]

Pois bem! Não passei nem perto de Guarapari (como já era de se esperar) e fui vorazmente atrás de uma moqueca exemplar.

Acho que foi meu namorado quem achou na internet as mil indicações do Restaurante Pirão no Guia 4 Rodas. De 1988 a 2011 ele esteve presente na publicação, fato que o Sr. Pirão faz questão de evidenciar em um das primeiras páginas do cardápio:

O lugar é simples até dizer chega, mas tem um ar condicionado potente (e é isso que (me) importa em terras quentes e úmidas) e a decoração é composta unica e exclusivamente pelas infinitas fotos do proprietário com todos os famosos que devem ter passado uma vez na vida por Vitória e, é claro, foram ao Pirão encher o bucho.

Agora o Sr. Pirão tem também uma foto com a famosa QUEM? do blog QUAL? para colocar em um cantinho especial da parede..rs

Eu sei que no Pirão você encontra moqueca de quase tudo nessa vida: as que nós pedimos de Badejo ao molho de camarão médio (R$ 125,00) e Siri desfiado (R$ 88,00) e todas as demais, de Lagosta (R$ 140,00) Camarão Grande (R$ 115,00) Sururu (R$ 55,00) Ostra (R$ 66,00), Banana da Terra (R$ 20,00 ), Garoupa Salgada (R$ 88,00 – essa ele diz que é o único a fazer por lá), etc… Todas elas acompanham arroz e pirão.

Há também a Torta Capixaba, que precisa ser encomendada com antecedência e custa (se não me engano) R$ 90,00. Essa é uma torta que no mínimo deve ser interessante: o recheio é feito da moqueca (sem o caldo) de vários frutos do mar, bacalhau e o peixe que preferir.

Nossos pratos:

Apesar de termos frisado, negritado e  ”capslockado” que não queríamos coentro em nenhum dos pratos, a Moqueca de Siri estava coalhada do tempero.

Eu como nem ligo (o namorado não suporta), comi e repeti várias vezes. Por que apesar desse siri ter vindo com muitas casquinhas – o que denota uma falta de capricho e cuidado- a moqueca estava bem gostosa.

O pirão estava uma beleza! Tinha uma cor viva e saudável (obra do urucum?), sem um grumo sequer de farinha e saborosíssimo.

A moqueca de badejo estava muito melhor temperada (sem coentro), o peixe de primeira qualidade que se desfazia em lascas maravilhosas que revelavam algumas pequenas partes da espinha. Os camarões que acompanhavam  o prato certamente passaram do ponto de cozimento e estavam mais que borrachudos, estavam rígidos.

A verdade é que o Pirão é um restaurante para turistas, que oferece uma ótima qualidade nos ingredientes e pratos feitos com tradição.

O preço cobrado por ele (segundo fontes residentes em Vitória) chega a ser o dobro do que em geral os restaurantes locais cobram por uma moqueca ou pratos similares aos oferecidos no cardápio do Pirão, mas quem vai de SP nem repara nisso, afinal de contas não se come nem metade de uma boa moqueca por menos de R$ 100,00 aqui. ;)

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04 fevereiro
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A Paella do Pepe

Desde pequena estou acostumada a comer muitos peixes e frutos do mar, pois um primo meu era dono de uma peixaria e tal. Sem contar que ele era o maior (em muitos sentidos, rs) paelleiro da Baixada Santista!!  Até hoje sinto saudades dele e como não podia deixar de ser, das delícias que saiam daquele fogão :)

A Paella do Don

 

Quando eu cresci, percebi que a paella não era um prato comum, mas sim algo elaborado que criava até um forte desejo nas pessoas que nunca tinham comido – talvez por falta de acesso, de condições, etc.

Convenhamos que a tal da paella no Brasil é um prato salgado. Paga-se pelo menos R$150,00 por uma porção que serve duas pessoas.

O engraçado é que a origem da paella segue a mesma linha da feijoada. Classes menos abastadas da Espanha juntavam ao arroz  todos os itens comestíveis disponíveis  e conseguiam ter uma refeição substanciosa a partir disso. Ou seja, uma comida do povo e que hoje em dia se restringe aos “que mais podem” – fato que ocorre pelo uso abundante de frutos do mar como lulas, camarões, lagostins, vôngoles e mariscos nas receitas brasileiras.

Mas tem um lugar em SP que vai contra essa maré. O Paellas Pepe, uma casinha perdida no meio do Ipiranga, serve de terça a domingo a típica paella valenciana, que é preparada diariamente de acordo com o número de reservas e na frente dos clientes. O melhor vem agora: por R$ 39,90 você come paella até dizer chega.

Então a dica é chegar cedo, para acompanhar desde o início a confecção dessa delícia – que pode levar até 2 horas.

Quando os generosos camarões e diversos lagostins são colocados em cima da paella, se prepare, pois o sino vai tocar. Aí é aquele forfé: todos se levantam das mesas e formam uma longa fila para serem servidos, as tiazocas mais velhinhas se jogam no começo da fila já com a identidade em punho para comprovarem fazer parte da terceira idade e por aí vai.

Espere a poeira baixar e vá até a mesa da paella. Não se preocupe se os frutos do mar que a enfeitam já tiverem sido levados pela horda de famintos, pois a chefe repõe os camarões e afins a cada vez que eles somem dali.

Sendo sincera posso dizer que me surpreendi com a qualidade da paella: frutos do mar super frescos, arroz soltinho e bem temperado com um açafrão potente. Só senti que o sal estava quase extrapolando o limite do agradável – um tico a mais e o prato estaria arruinado.

Um ponto bem fraco do restaurante foi notado quando meu namorado, “exausto” de comer peixes em Ilhabela, escolheu um Filé Mignon Grelhado (R$33,50) que estava no cardápio. Antes mesmo do garçom colocar o prato na mesa, percebemos que aquela carne nem em outra vida seria um filé mignon.  Ao provarmos um pedacinho ficou provado que era uma original carne de segunda.

Mas o pior nã foi nem isso. Educadamente informei ao garçom que aquilo só seria um filé mignon quando eu fosse a Gisele Bundchen e pedi que ele voltasse com o prato a cozinha para questionar ao cozinheiro. Eis que o rapaz volta…dizendo que “não minha senhora, o chef me garantiu que é um filé”. Então tá, né?!

Como a jarra de sangria que tomei já tinha semi-anestesiado essa pessoa que vos fala, não houve força no mundo que me fizesse levar para frente a discussão. Só agradeci mais uma vez por nunca me cansar de comer frutos do mar e ter comido naquela noite uma bela paella como há tempos não comia. ;)

 

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