Spago, o irmão Nova Iorquino do Zena.
Quem conhece o Zena Caffe - reino das focaccias mais maravilhosas do planeta e do Spritz Ice que eu tanto amo- e segue o chef Carlos Bertolazzi no Twitter (@CaBertolazzi) deve ter acompanhado a aflição da espera pela inauguração da nova cantina ítalo- americana que eu fui, finalmente, conhecer: o Spago.
A verdade é que Bertolazzi soube como ninguém instigar muito bem todos os seus followers a cada post de fotos que mostraram desde a construção da aconchegante casa de tijolinhos, pé direito alto e muito verde até aquelas em que revelava os testes de alguns pratos que entrariam no cardápio.
Se a intenção era criar uma lombriga imensa no povo, ele conseguiu – pelo menos na BOCCANERVOSA aqui.
Logo de cara é possível enumerar 3 fortes características do Spago:
1- O cardápio conciso não deixa ninguém triste diante de suficientes e tentadoras opções
2- O ambiente é lindo, acolhedor e parece ter sido planejado nos mínimos detalhes – até mesmo a gostosa trilha sonora italiana que ecoa de alto falantes high end faz a diferença.
3- A noite é impossível tirar fotos de qualidade na luz baixa que domina a casa, portanto agradeço desde já a todas as fontes das quais peguei a maioria das fotos “emprestadas”…rs
Enfim… em posse do cardápio você realmente se sente em NY escolhendo entre um Spaghetti Meatballs, um Chicken Marsala ou uma salada repleta de recheios (como os americanos adoram).
A lombriga quase pulou para fora da boca e escolhemos as Fried Calamari (R$ 21,00) e uma Caesar Salad (R$ 26,00):
Na ótima (só que ao contrário) foto acima você vê que deus existe e a prova disso são essas lulas divinas. Não consegui nem lembrar que precisava tirar uma foto e fomos logo atacando os gorduchos anéis de lula em seu ponto de maciez mais perfeito e empanados em alguma farinha que, creio eu, levava um toque de queijo ralado. Ponto também para o molho tártaro, que eu odeio, e consegui amar na versão feita pelo Spago – suave, maravilhosa.
A Caesar talvez fosse a maior prova da influência nova iorquina no cardápio: molho abundante e potente em sabor. Bem a cara dos americanos que conseguem transformar até jiló em algo delicioso se regado com seus molhos para salada.
Gostei porque sou exagerada, mas talvez quem curte uma coisa mais leve e delicada não entenda a necessidade de tanto molho/sabor envolvendo as folhas.
A foto da Caesar eu não achei em nenhum outro lugar, então vai a minha pobre coitada mesmo:
Entre os pratos principais existem alguns que são, digamos, as meninas dos olhos da casa. E um deles é o Chicken alla Scarpariello (R$32,00) que significa Frango a Sapateiro e vem servido de modo bastante rústico, a começar pelo corte da carne: um pedaço de peito com osso e tudo.
Delicioso o purê de batatas grosseiramente amassadas e bem caprichado no alho, que dava uma quebrada na ardidinha farofa de calabresa com tomate. Acompanhando o frango também vinham finíssimas rodelas de cebola caramelizada – oh Lord, pq não me mandam um prato cheio só daquilo?
A verdade é que os acompanhamentos casavam muito bem entre si, o doce da cebola com a pimenta da calabresa e o conforto da batata mas…meu frango estava consideravelmente seco. Lamentavelmente seco, eu diria…
O outro prato escolhido naquela noite foi um Spaghetti Alfredo, que o marido tanto ama.
Massa PERFEITAMENTE no ponto que até parecia de mentira. Se me pedissem para dar um exemplo de sucesso no cozimento de uma buona pasta, seria esse macarrão. Repleto de (agora sim) tenros pedaços de frango e molho que cumpria seu papel, mas não empolgava. Faltou personalidade ao molho, ou então era saudades da mão do Chef.
Como eu já esperava não ia rolar pegar a bolsa e me mandar antes de provar as sobremesas pelas quais eu tanto babei vendo fotos no Instagram.
Pedi logo duas e que se dane o regime: Banoffee Pie e Nutella Crunchy Tart (R$ 14,00 cada)
Intensa, aveludada e com sabor pronunciado de avelã, que dá um toque muito mais sofisticado à sobremesa.
E a minha preferida, a Banoffee Pie: torta de banana, doce de leite e chantilly… que veio congelada.
O ideal é que ela tivesse vindo “fofa” desse jeito aqui ó:
Apesar desse pequeno descuido, todo o potencial estava lá. E olha, vou te contar: banana com caramelo nunca foi tão bom!
No fim das contas, o Spago se mostrou digno de muitos repetecos, principalmente pelo bom custo-benefício dos pratos e qualidade dos ingredientes.
As falhas que eu citei aqui me parecem ser sinais de uma cozinha que ainda precisa ser mais afinada e, a julgar pelo desempenho de Bertolazzi no Zena, com certeza será!
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