Da Terrinha: quando a cozinha Portuguesa alcança, com qualidade, um novo público.
Todos aqueles, exceto os que podem se dar ao luxo de esbanjar sem dó uma grana por aí, que costumam visitar restaurantes Portugueses em SP sabem bem o peso que causa no bolso jantar em algum deles, mesmo que sem exageros.
Até então o que se via por aí eram de um lado os TOPS como A Bela Sintra, Antiquarius e Trindade e do outro aqueles restaurantes que existem antes mesmo das nossas mães nascerem, que se intitulam como tradicionais porém em muitos casos perderam há tempos a qualidade de muito antigamente.
E aí começaram a surgir alguns intermediários como as Tascas da Esquina e a do Zé e da Maria.
Mas nenhum deles conseguiu me cativar tanto quanto o Da Terrinha!
Cozinha aberta, ambiente arejado – que te convida a ficar lá sentado tranquilo enquanto come um bolinho de bacalhau atrás do outro – atendimento simpático e um cardápio que, apesar de atípico, agrada a todos.
Pode tirar o cavalinho da chuva se você acha que lá vai encontrar tenras postas de bacalhau com 1o cm de altura em todos os pratos. Pelo contrário, só uma opção no cardápio oferece algo parecido com isso que é o Bacalhau no forno (R$ 85,00 p/ duas pessoas).
O que você vai ver é um cardápio que reúne clássicos da culinária portuguesa e algumas criações bem inspiradas, caso do Bacalhau da Terrinha que falarei logo mais.
Desse parágrafo em diante preste MUITA atenção nos preços e tente se lembrar de algum dia ter comido uma comida portuguesa boa aos custos que virão a seguir.
Nas duas visitas que fiz (em menos de 1 mês) comecei a refeição com duas das entradas que mais me fazem feliz:
Bolinho de bacalhau (R$ 9,00 – 4 unidades) com casquinha super crocante e recheio cremoso. Juro que comeria só bolinho numa boa!
Porção de pastéis recheados com creme delicado de bacalhau (R$ 11,00) e fritura sequinha.
E a melhor das 3, segundo eu e meu marido: as lulas salteadas (R$ 20,00)
Pequenos anéis extremamente macios, temperados com alho, sal, limão e salsinha. Tenho uma compulsão específica por “lulas como entrada”, em todo lugar que vou e elas estão lá acabo pedindo…não tem jeito. Mas até agora essa daí de cima foi a que mais me trouxe conforto e vontade de comer 1 kg delas!
Os pratos principais que pedimos, considerando as duas visitas, foram os seguintes:
Bacalhau Gomes de Sá (R$ 42,00) que são lascas de bacalhau nadando em muito azeite de oliva com ovo, cebola e batata. Tirando o exagero de azeite, o restante estava bem equilibrado.
O marido gostou tanto do carro chefe da casa, o Bacalhau da Terrinha (R$ 38,00) que pediu nas duas vezes em que estivemos lá.
Delicioso creme de bacalhau a base de molho branco, com cenouras que quase desaparecem no meio dessa delícia gratinada. Tipo do prato que te abraça!
E por fim o Arroz de Pato (R$ 33,00) que decepcionou um pouco por estar salgado demais, mas que tinha boas lascas da ave desfiada misturadas a ele.
A doçaria Portuguesa para mim é um capítulo a parte. Tudo que leva açúcar e muito ovo me fascina e acho que por isso pedi três sobremesas de uma vez só. Isso mesmo, três!
Começando pelo gostoso Toucinho do céu (R$ 13,00), bem úmido …do jeito que eu gosto.
Passando pela descoberta da noite: a Sericaia, minha nova paixão. Esse é um doce alentejano bem antigo, que se parece uma omelete bem alta, mas de consistência cremoso – o que pra mim se traduz na mais bela junção de pudim de leite com quindim!
E terminamos com os sorvetes (R$ 15,00 duas bolas), que me chamaram a atenção exatamente por serem de sabores da Terrinha. Pedi uma bola de limão e Moscatel de Setúbal e outra de Laranja com Vinho Madeira. Ambas chegaram à mesa congeladas em excesso, que mal dava para enfiar a colher. Como eu sou afobada quando se trata de uma sobremesa na minha frente, acabei comendo assim mesmo e, provavelmente, as baixíssimas temperaturas mascararam o real sabor dos sorvetes. Uma pena!
Melhor guardar a boa lembrança de todos os itens anteriores a ele!











