03 abril
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A Índia além das vacas e riquixás

O Klein já veio aqui contar sobre uma de suas viagens para Bali e agora ele volta para falar sobre a última visita que fez à Índia e tudo o que (conseguiu) comer por lá.

Vem!

Fonte: http://www.flickr.com/photos/betta_design/

“É quase um consenso entre viajantes, médicos e guias de viagem que, em estadias de menos de duas semanas na Índia, a dieta deve ser estritamente vegetariana de forma a evitar possíveis complicações gastrointestinais devido aos temperos e especiarias usadas nos pratos que levam carne. Nos dez primeiros dias que eu e a Carol passamos na Índia ficamos restritos a uma meia dúzia de três pratos a saber: biryani, dal fry, aloo gobi; além de arroz e saladas de tomate e cebola.

Dal Fry: lentilhas cozidas com especiarias

A comida indiana é, assim como a tailandesa, bastante apimentada. O que difere as duas (isso na versão de um leigo na cozinha, no caso eu) é o fato de que o fator “picante” faz parte da comida tailandesa, mas não eclipsa o sabor dos pratos que você come. Na Índia, tem-se a impressão que o tempero sempre se sobressai além do necessário, além de parecer que tudo o que você come tem o mesmo gosto.

Contudo, com o tempo você começa a diferenciar os sabores, os pratos apimentados não parecem tão apimentados assim, os olhos ficam menos marejados quando você come, os lábios ficam menos avermelhados e a garganta menos inchada.

Enfim, tudo isso pra dizer que os nossos primeiros dias foram de adaptação e de certa forma meio insossos dada a pouca variabilidade de nossas refeições.

Isso começou a mudar em nossa penúltima noite na Índia, quando voltamos para Nova Délhi para pegar o avião de volta para o Brasil dois dias depois. Na árdua tentativa do nosso táxi tentar encontrar o nosso hotel, andando pelas estreitas e movimentadas ruas de Karol Bagh (um ótimo lugar para os turistas), a Carol vê um restaurante abarrotado de gringos.

Karol Bagh

Um restaurante abarrotado de gringos significa que:

i) ele é recomendado por um guia de viagens;

ii) provavelmente a comida é menos apimentada.

Assim que achamos o hotel e nos instalamos, corremos para o “Spicy Bar”. Não sei exatamente onde se encaixa o “Bar” nesse caso, visto que essa palavra só é encontrada em estabelecimentos que comercializam exclusivamente bebidas alcoólicas. Decidimos que a nossa dieta até então semi-vegetariana (era parcialmente quebrada em visitas esporádicas ao McDonalds e KFC) seria quebrada definitivamente naquele dia. A viagem já estava acabando e o perigo de adoecer não atrapalharia mais os nossos planos.

Como entrada, o restaurante fornece uma porção de cebolinhas roxas acompanhadas de um molho de erva-doce bastante suave. Um dos pontos mais interessantes do relacionamento entre eu e a Carol é que os dois adoram cebola e comem aos montes quando possível. Dessa forma, o mau-hálito provocado pelas cebolas fica em segundo plano. Além disso, pedimos alguns chapatis (como se fosse um pão sírio, só que menos encorpado) e acatamos a sugestão do dono do lugar e pedimos pão de alho, que revelou-se ser uma das estrelas da noite. A opinião foi unânime de que esse foi o melhor pão de alho que já comemos em nossas vidas com sobras.

Como pratos principais pedimos o Tandoori Chicken, o Kashmiri Curry e arroz para acompanhar o curry. Apesar de ter passado 45 dias na Índia entre 2008 e 2009, a única vez que comi Tandoori Chicken foi em uma pequena cidade da Malásia, país com forte presença indiana. Tandoori significa “feito no tandoor”; tandoor por sua vez é um forno cilíndrico feito de barro. Portanto, Tandoori Chicken é um frango feito no forno cilíndrico de barro. Antes disso ele é marinado em um iogurte temperado com alho, gengibre, pimenta, entre outras especiarias. Depois de assado ele fica com uma coloração bem avermelhada e o sabor é quase impossível de ser descrito de tão bom que é. É forte e ao mesmo tempo suave, sendo que é possível distinguir boa parte dos ingredientes que vão no frango. Quanto ao Kashmiri Curry, nós o pedimos porque estava escrito “everyone’s favourite” no cardápio. E de fato ele é muito bom! Um típico curry de frango, um pouco forte, mas na medida e que casou bem com o arroz que pedimos.

De sobremesa, uma bola de sorvete de coco e gulab jamun, doce conhecidíssimo da dona deste blog e que certamente a fará relembrar dos almoços no indiano da Rua Matias Aires (em frente ao “Grego”) na região da Paulista.

Gulab Jamun: bolinhos embebidos em calda de água de rosas

 O dono do lugar gostou da gente, sugeriu pratos, conversou, ajudou, pediu pra trazer mais cebolas e por fim nos convidou a fazer um tour pela cozinha. Lá, gravamos o cozinheiro fazendo o pão de alho e o curry, além de posarmos para fotos com todos os integrantes da cozinha. Não contente, o simpático senhor de turbante nos levou a outro restaurante da família, o “Aroma Spice”, apresentou o dono e nos ofereceu uma xícara de chai. Para finalizar, uma pitada de sabedoria: ele disse que em primeiro lugar eu tenho de fazer a Carol feliz; depois, Deus(qualquer que seja ele) se encarregaria da minha felicidade. Um belo exemplo da hospitalidade indiana que, infelizmente, acaba sendo sendo dissipada na espessa nuvem de riquixás, poluição e pessoas má-intencionadas que todos os turistas acabam tendo de enfrentar.

 Vamos às contas: uma cerveja (Kingfisher) + Tandoori Chicken (4 pedaços) + Kashmiri  Curry (uma tigela cheia) + arroz (um prato grande) + chapatis + pão de alho + sorvete com gulab jamun = R$ 28 para o casal.”

Para quem se interessou, o tal do restaurante próximo a Av. Paulista é o lactovegetariano de inspiração indiana Gopala Hari ;)

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