Italy, o badaladinho da Oscar Freire.
Tem lugares que mal foram inaugurados e já se tornam impossíveis de passar na porta.
Esse é o caso do Italy, que na Oscar Freire só deve perder para a Bacio di Latte - que, aliás, vale a fila, a visita e o prazer de provar o melhor sorvete de pêra do planeta.
Mas voltando ao Italy,o novo empreendimento de dois Paulos com toque de Midas: Barros (Due Cuochi) e Kress (Káa), vive cheio desde o dia em que abriu as portas.
Cheio de gente “dos Jardins”: aquele forfé de grupos de peruas, cinquentões em seus carrões, menininhas de boutique e por aí vai. Juro que dá preguiça de enfrentar a fila e tolerar a falta de atenção das duas hostess, que somadas, não dão uma.
Mas a proposta de ser uma trattoria de luxo a preços não abusivos convence qualquer um a se manter firme nessa primeira etapa da visita.
O ambiente é bacana, minimalista e aconchegante mas com um toque de badalação, considerando a trilha sonora no estilo “As 10 melhores da JovemPan”.
Já o serviço, esse eu achei que ainda é meio confuso apesar de não se tratar de uma casa aberta por novatos. Possivelmente você será questionado sobre o vinho que quer tomar pelo garçom, pelo maitre e por mais alguém que ainda não tenha tido a oportunidade de lhe perguntar.
Mas vamos ao que interessa, a comida. O menu é bem atraente e tem opções suficientes para que, mentalmente, já seja prevista uma nova visita ao lugar.
Dispensamos o couvert e sabendo que apesar de lindas e tentadoras, as opções do carrinho de antepastos poderiam acabar com o fôlego para o restante do jantar. As opções de combinações são imensas (conservas (R$29,00), conservas + embutidos (R$35,00), conservas+ embutidos +queijos (R$ 42,00) e né…eu não morreria de lombriga por causa delas.

Pedimos então duas entradas: a Polenta gratinada com taleggio e cogumelos e a Focaccia recheada de mussarela de búfala, shitake e rúcula – cada uma custava entre R$ 17 e R$ 25.
A polenta estava simplesmente divina, o sabor marcante do taleggio totalmente encorporado a polenta de colher, que chegou fumegante à mesa.
Acostumada que estou com as focaccias do Zena, até achei que minha porção tivesse sido trocada na cozinha. Mas eram elas mesmas, as focaccias em forma de mini hamburger de massa super macia e crocante e recheio bem harmonizado.
Ainda assim prefiro aquelas que saem do forno de Carlos Bertolazzi, que chegam a ser etéreas de tão delicadas que são. Aquela coisa que envolve cuidado e capricho, sabe?
Bom, pelo tamanho dessas entradas percebe-se que o plano de não exagerar logo no começo foi para as cucuias.
Os pratos principais foram escolhidos com o intuito de nos acolher, então as opções mais mirabolantes ficaram de fora dessa vez.
Pedi um Pici ao sugo de calabresa, funghi e grana padano (R$ 37,00).
A foto tá uma “belezura”, mas o fato é que a massa estava sensacional. Molho cheio de sabor, repleto de fatias finíssimas de uma ótima calabresa artesanal que envolvia uma massa com gosto de feita em casa e no ponto exato de cozimento. ai como eu desejei ter um pedaço de pão para aproveitar aquele restinho de molho!
Meu namorado pediu o Risotto al funghi com escalopes de mignon (R$ 48,50) da foto aí de cima e olha…alguns pontos a serem considerados:
- A porção pode não parecer na foto, mas era algo similar aos pratos infantis. Uma camada ridícula de fina do risotto e 3 micro escalopes que foram comidos, vagarosamente, em 5 minutos.
- O arroz estava no ponto certo, mas havia uma cremosidade em excesso no risotto.
- Os escalopes não estavam tão macios quanto poderiam estar.
Vou considerar esse como um prato bom, pelo sabor de tudo o que tinha ali no meio dele. Mas, definitivamente, não fazia jus a aura de “impecável” que impera no reino Barros-Kress.
Decidi pedir a sobremesa mais por uma questão “investigativa” do que por lombriga. As opções não são as mais animadoras do planeta e as que mais me atraíram foram a Merengata de Pistache e o Petit Gateau de Limão Siciliano (ambos R$16,00).
Fazia tempo que eu não me surpreendia com um petit “mal-fadado”gateau! Esse tinha uma casquinha externa tão crocante e deliciosa, que me conquistou. Lembrava até mesmo uma massa a base de farinha de amêndoas, mas provavelmente isso é só uma grande loucura da minha cabeça. O recheio lembrava muito o sabor de uma mousse de limão e tinha consistência super aveludada. Fica o aviso: é doce pra diabo! Somente indicado para heavy eaters!
O namorado foi de Mil folhas de baunilha (R$ 15,00) e não sei mas talvez aquele não fosse o dia de sorte dele.
A massa folhada era muito fresca e se esfarelava ao menor toque do garfo. Só que aí o creme feito com baunilha em fava, todo cheio de potencial…não tinha gosto de nada. Nada vezes nada!
Enfim, considere que eu adorei a comida e meu acompanhante prefere a cantina que ele vai todo mês no bairro em que trabalha.rs
No fim das contas, ou melhor, da conta de R$ 194,00 não me senti beneficiada pelo boato de que lá “não se gasta TANTO”. Talvez eu é que não esteja indo a tantos lugares dispendiosos quanto os frequentadores de lá.
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