07 março
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Majó: quando talento e empenho andam juntos.

Imagina uma pessoa quase em coma alimentar e feliz à beça. Pois esse era o meu estado depois do almoço que tive no Majó!

Colado no ICAB, esse restaurante de comida contemporânea abriu suas portas exatamente no dia da minha visita, em sistema de soft opening.  Sei que acabei caindo lá depois de me irritar com outros estabelecimentos vizinhos que estavam absurdamente lotados e despreocupados em ao menos organizarem uma fila de espera.

Como eles ainda não aceitam nenhum tipo de vale -refeição, acredito que esse era o motivo pelo o qual a casa estivesse tão vazia. O que é uma pena, considerando o baita almoço que essa galera perdeu.

Aproveitei a calmaria para conversar com Jorge Pasianot, um dos proprietários da casa, que me contou um pouco sobre a arquitetura e decoração do local que prioriza diversos aspectos sustentáveis. Entre eles o máximo aproveitamento da iluminação natural e as charmosas pastilhas redondas em diversos tamanhos e tonalidades feitas em argila, que promovem uma queda no aquecimento do ambiente que, consequentemente, diminui a necessidade do ar condicionado.

Tendo me inteirado um pouco mais sobre o Majó e percorrido 4 quadras nesse atual calor senegalês para chegar até lá, a única coisa que precisávamos eram duas bebidas bem geladas. Pedimos então o suco de Maracujá com Gengibre e a ótima Limonada Suíça, fresca e cremosa como bem deve ser.

O cardápio bem composto por diversos pratos contemporâneos - entre eles algumas opções vegetarianas- faz com que olhos ávidos por novidades brilhem.

Apesar de eu ter salivado pelo inusitado Ravioli recheado com abóbora japonesa, ricota e biscoito amareto feito na manteiga de sálvia (R$ 35,00),  não sobraram muitas dúvidas de que a pedida seria o menu executivo, milhões de anos luz a frente de qualquer outra opção da região dentro dessa faixa de preço (R$ 41,90) pela sequência abaixo:

A entrada do dia era a salada Cardoso, uma bem sucedida união de folhas verdes, pêra portuguesa ao vinho tinto, mousse de queijo de cabra e couscous marroquino.

Meu dia estava ganho assim que me deliciei com o suave mousse de queijo de cabra contrastando com a pera adocicada e o couscous muito bem temperado.

Para o prato principal a opção era um tenro peito de frango recheado com brie envolto em presunto de parma acompanhado por delicado purê de manjericão.

Foi mais ou menos nessa parte do almoço em que conheci o chef da casa, Antonio Sofia Neto, que após 20 anos trabalhando na Europa voltou ao Brasil para criar um cardápio conceitual que mais se aproximasse da alta gastronomia.

Ele contou que entre as opções feitas para o Majó uma das que ele mais gosta é Porchetta recheada com farofa de ameixa ladeada por purê de cará e aspargos tempurá (R$35,00)

Fui terminantemente obrigada a provar a macia barriga de porco, que ganha muito mais vida por ter ao seu lado uma das melhores farofas que já provei. Apetitosamente úmida, dourada e adocidada…poderia comer um balde cheio dela.

O tempurá de aspargos surpreendeu pela fritura extremamente crocante e sequinha.

Soube de antemão que as sobremesas não eram feitas na casa, o que evitou a surpresa de encontrar opções medianas que, definitivamente, não estão a altura dos pratos executados pelo chef.

O cheesecake (R$13,00), feito com mascarpone e coberto com geléia de morango só desapontou pelo fato da massa estar totalmente umedecida e não levemente crocante como deveria ser.

O Brownie de casquinha quebradiça poderia ser bem menos doce.

O balanço final sobre o Majó é simples. Se conseguirem manter o nível de cuidado e qualidade dos pratos, assim como no atendimento (que foi muito prestativo naquele dia) assim que o local estiver repleto de clientes, essa certamente será uma das mais gratificantes opções para fazer um almoço diferenciado na Vila Olímpia. ;)

Charme final: conta na caneca

Majó

Rua Ministro Jesuíno Cardoso, 459

Tel.: 3044.7696 ou 3045.2188

Aberto de Seg. à Sáb. somente no almoço.

 

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